“Não ao despejo do Escárnio” artigo de Paulo Queiruga

Paulo Queiruga, militante de Galiza Nova e membro da Mesa Nacional da Asemblea LGTBI

Hoje a Polícia Espanhola vêm de despejar o Centro Social Okupa Autogerido Escárnio e Maldizer da cidade de Compostela, com uma forte violência policial e com repressão física e econômica a várias companheiras do CSOA. Primeiro de todo, gostaria de amossar o mais sincero apoio e compromisso para com as companheiras reprimidas.

O CSOA Escárnio e Maldizer desde os seus começos supôs um avanço na nossa cidade ao criar um espaço aberto e dinâmico com uma ampla programação em beneficio de toda a cidadania. Um espaço que conseguiu dalguma maneira rachar co lezer de consumo ao que nos leva o capitalismo, e construir uma alternativa crítica, combativa, feminista, diversa e aberta a todo o mundo.

Este acontecimento põe de manifesto mais uma vez o uso das instituições e forças repressivas em beneficio dos especuladores urbanísticos. Não queremos edifícios fechados, reivindicamos o nosso direito a fazer uso dos edifícios abandonados da cidade em beneficio do bem comum, em beneficio do povo galego.

A constituição espanhola, que tanto se emprega para negar os direitos coletivos dos povos a exercer o seu direito de autodeterminação, também diz que toda propriedade, pública ou privada, há de cumprir um serviço coletivo a toda a sociedade. Reclamamos que as intituições cedam os espacios fechados ao asociacionismo sociocultural para uma autogestão por parte do povo.

Não é a primeira vez que vivemos esta situação na capital do país, já ocorrera há poucos anos com a Sala Iago, um antigo cinema que hoje esta fechado e consumindo-se pouco a pouco. Não podemos ficar impassíveis ao ver como o nosso patrimônio se consome sem nenhum tipo de uso, por isso devemos combater o capitalismo ocupando o que nos pertence e criar espaços autogeridos para toda a cidadania onde o poder de decisão recaia no povo.

É importante que hoje saiamos todas à rua a rejeitar esta atuação policial desmesurada a reclamar a importância que tem para a mocidade estes centros. Estão a roubar-nos a vida, estão a deixar-nos sem alternativas que não passem pelo consumo de bens e serviços das grandes empresas multinacionais. Ante todo isto, devemos estar hoje às 20h na Porta do Caminho de Compostela para reivindicar o nosso direito a termos projetos autogeridos.

Não á violência contra o povo organizado, não ao despejo do Escárnio!

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