Fazer dar a volta. Artigo Élia Lago

Élia Lago

No dia em que sai este artigo, «La Vuelta» entra em território galego. Foi-se achegando pola faixa cantábrica a massa de ciclistas que, sempre no último tramo do verám, vam desenhando cada ano o mapa da Espanha fecunda, monumental, unida, eficiente, cenário da carreira que engancha milhons de pessoas arredor do mundo.

O soberanismo sempre tivemos motivos para rachar com esta manifestaçom de nacionalismo banal espanhol, pois reconhecemos no desporto competitivo um dos dispositivos preferidos para fabricar subjetividades nacionais. É por isso que reivindicamos, por exemplo, umha seleçom galega frente a «La Roja». Mas, além de como afetam Galiza e outras naçons do estado, estes últimos lustros, especialmente estes últimos meses, as atividades desportivas funcionam como plataformas de espalhamento de umha das ideologias mais nocivas dos nossos tempos: o sionismo. Temos visto atletas, futebolistas ou regatistas baixo a bandeira israelita, por citar somente algumha disciplina, desenvolvendo as suas carreiras com normalidade, às vezes discretamente e outras aproveitando a oportunidade para lançar sinais de ódio.

Na «Vuelta a España» compete Israel-Premier Tech. Esta equipa, que debuta este ano no torneio, tem sete ciclistas competindo, só um com nacionalidade israelita (o resto, dous británicos, um estadunidense, um italiano…). Esta formaçom fichou talentos internacionais com o propósito de estabelecer unha tradiçom e um reconhecimento desportivo ali onde nom preexistia, o ciclismo. Detrás da marca está o colono Sylvan Adams, um investidor de origem canadiana e abertamente sionista cujo capital se vincula a outras iniciativas de branqueamento do ente (por exemplo, a atuaçom de Madonna em Eurovision 2019 ou o jogo Argentina-Paraguai também em Tel Aviv esse ano). A sua adscriçom ao projeto colonial é inegável e facilmente rastejável.

Evidentemente, nós nom nos opomos à invençom de costumes, pois é ao que aspiramos desde o soberanismo: a criar novas normalidades que suplantem as anteriores, injustas e indesejáveis. Denunciamos, porém, o propósito com que neste caso as apariçons se programam. Sabemos que detrás de cada movimento israelita existe planificaçom, umha campanha publicitária e, sobre todo, umha intençom. Eles sabem que diante de «Ocidente» funciona a espetaculosidade, a respeitabilidade e os códigos neoliberais. E «Ocidente» corresponde deixando fazer (um genocídio!) ao mesmo tempo que nom mostra nengum escrúpulo intervindo onde considera que as regras se incumprem.

A situaçom semelha invulnerável. Todas as grandes potências mundiais protegendo um etnoestado colonial e os seus embaixadores (desportivos, artísticos, de todo tipo). A capacidade de mudarmos o rumo da História parece remota. Mas essa conclusom nom é a que demonstra nem a experiência coletiva nem a realidade recente.

A sociedade civil e as organizaçons políticas estám lançando várias iniciativas que visam a tirar-nos da imobilidade que a frustraçom provoca. Está existindo criatividade para que as pessoas solidárias poidamos implicar-nos segundo as nossas capacidades. Manifestaçons, boicotes, flotilhas, greves, concertos para reunir fundos, marchas, bloqueios. Trabalhadoras atacando infraestruturas próximas aos centros de produçom e distribuiçom de matérias, consumidoras que se negam a nutrir economicamente empresas vinculadas com «Israel». E, estes dias, umha manifestaçom ainda mais próxima e apoderante: a vaga de sabotagens a «La Vuelta» por permitir a participaçom da equipa sionista.

O que sucedeu nos Països Catalans, em Euskal Herria ou em Asturies, e que estes dias pode passar também na nossa terra, inspira força e esperança. Comprovamos que umhas quantas pessoas no lugar correto no momento adequado podem desencadear eventos inesperados. A presença do povo organizado forçou debates arredor da presença da equipa Israel-Premiere Tech e está por ver se condiciona a sua expulsom.

Quase mais importante que a saída dos ciclistas da competiçom é o que essa vitória concreta pode produzir nos ánimos coletivos. Cada oportunidade de juntar-nos por umha causa justa, de pensar e valorar açons, de politizar(-nos) e de ganhar consciência sobre o sistema é o princípio da construçom de poder popular. Temos ocasiom de fazer-nos melhores conspiradoras contra a ordem capitalista e imperialista. Sabemos que nom somos as protagonistas da luita da Palestina pola sua libertaçom e a sua soberania, mas definitivamente devemos ser aliadas na destruiçom das constriçons que a impedem como impedem a nossa própria.

Temos a responsabilidade de romper o relato da respeitabilidade com que «Ocidente» pretende blindar «Israel». Devemos estar à altura intelectual e prática que o nosso tempo demanda e somar-nos à grande onda de solidariedade efetiva que se articula arredor do mundo. Berremos que desporto é política, que todo é política. Que, contra a política do genocídio e da desumanizaçom do povo palestino, nós imos fazer política solidária até fazer recuar o ente sionista e as suas prolongaçons.

Viva Palestina livre e viva a solidariedade internacionalista! Fora Israel-Premier Tech da Galiza!

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