Língua materna: castelhano? Artigo Mario Figueira

Mario Filgueira

Ontem foi o Dia da Língua Materna. Mas, o que é que significa isto realmente?

Eu, como tantos outros rapazes e raparigas da Galiza, medrei num contexto castelhanizado, em que a minha família me criou em castelhano. Quer dizer isto que hoje a maioria das crianças galegas celebram o «Dia do Castelhano»?

Esta pregunta nasce dum contexto em que se tende a vaziar a língua do seu poder político. O termo «língua materna» pode induzir num erro de análise: pensar que polo simples facto de herdar umha língua, esta vai se reproduzir automaticamente. Mas essa visom romántica esquece o contexto sociolingüístico atual do galego. A transmissom lingüística nom é um fenómeno natural nem inevitável: está condicionada polas estruturas de poder.

O campo lingüístico nom é neutro. Está atravessado polas relaçons de classe e pola situaçom do nosso país dentro dum sistema de dominaçom estatal. Num sistema onde a língua hegemónica imposta polo Estado garante acesso a recursos, reconhecemento e mobilidade social, enquanto a língua própria ocupa posiçons subordinadas, a reproduçom lingüística nom depende só da vontade individual. O galego, mesmo sendo interclassista, sustenta-se historicamente sob umha base social proletária. É nesta posiçom onde se expressa a sua dominaçom estrutural fronte à língua hegemónica.

Significa isto que estamos em contra deste dia? Para nada. Pessoalmente, celebrarei cada família consciente que decida educar as suas crianças em galego. Mas também devemos ser honestos: num contexto em que o galego já é minoritário no seu próprio território, a transmissom familiar por si só nom chega.

Se quixermos garantir o futuro da língua, nom é suficiente a herdança. Precisamos consciência, organizaçom e transformaçom das condiçons sociais que hoje fam que a língua hegemónica siga sendo a opçom mais rendível e segura.

Neste contexto, surge a figura dos neofalantes, pessoas que, conscientes desta situaçom diglóssica, decidem incorporar o galego à sua prática diária. Pode parecer um ato voluntarista ou mesmo difícil num contexto em que a língua é minoritária, mesmo a mim me custou ao princípio, mas também nom requer um esforço sobre-humano, apenas compromisso. Precisamente, é a soma destas açons, que podem parecer isoladas, as que transforma umha decissom pessoal numha dinámica coletiva capaz de questionar a língua hegemónica e a dominaçom classe-naçom.

E por isto em dias como este, torna-se mais patente a nossa dominação nacional. Todos nós, militantes e nom militantes, pessoas que compreendemos esta realidade, nom devemos quedar imóveis resignando-nos à perda de falantes do galego, temos o poder e a responsabilidade coletiva de agirmos e pormos em prática a consciência do galego.

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